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Resiliência: habilidade indispensável para o sucesso

18 de abril de 2019
Vanessa Brito

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Resiliência: habilidade indispensável para o sucesso

“A única constante é a mudança”. A frase do filósofo grego, Heráclito de Éfeso, nunca foi tão atual. É que em nosso tempo, na Era Digital, as transformações acontecem num piscar de olhos e são compartilhadas de modo instantâneo, com alguns cliques. Novas tecnologias tiram players tradicionais do mercado e nossas ‘certezas’ sobre como agir e trabalhar são revolucionadas por jovens do outro lado do mundo.

Os norte americanos criaram um acrônimo, bastante usado no mundo corporativo, para definir a realidade na qual vivemos hoje: mundo VUCA. Veja que cada letra representa uma característica do nosso tempo:

  • V – Volatility (volatilidade)
  • U – Uncertainty (incerteza)
  • C – Complexity  (complexidade)
  • A – Ambiguity (ambiguidade)

Simplificando, o acrônimo serve para nos lembrar que o mundo hoje insiste em não ser mais tão previsível e estável como a gente gostaria. 

Isso significa que as competências que nos trouxeram até aqui, não serão suficientes para levar ao sucesso deste ponto em diante.

Quem acompanha as pesquisas de tendência de mercado sabe que as habilidades apontadas como essenciais ao sucesso na Era Digital já não são as que nossos pais nós convenceram a buscar. Ter domínio técnico de uma profissão, diploma de graduação e pós – o que já foi diferencial hoje é apenas o básico insuficiente para navegar no mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo no qual vivemos.

A inteligência emocional, ou soft skills, se estabelece como condição primária para viver bem e ter resultados em nosso tempo. O problema é que nós não fomos educados a desenvolver esta dimensão na escola nem, na maior parte das famílias, em casa. Se seus pais ou professores lhe ensinaram a lidar com as suas emoções e alinhá-las com as das pessoas à sua volta antes de tomar decisões, saiba que você está no hall das exceções. Para maior parte das pessoas, desenvolver essas habilidades essenciais ao nosso tempo – resiliência, empatia, humildade, cooperação – é algo que acontece na marra, a um custo alto de tentativas e erros.

Se você quiser entender mais sobre o que são soft skills e como usá-las a seu favor no trabalho clique aqui.

Neste texto vamos focar em uma das soft skills fundamentais para prosperar num mundo de incertezas e complexidade: a resiliência.

Resiliência

Resiliência é a capacidade de se recuperar das quedas. A vida derruba, a pessoa resiliente levanta – muitas vezes mais forte e determinada. Maravilha, né? Desenvolver essa habilidade encurta o caminho da gente rumo ao equilíbrio, felicidade e resultados nos negócios. E mais: nos dá a estrutura emocional necessária para prosperar num ambiente de transformações velozes.

Para facilitar sua navegação dividimos o conteúdo nos seguintes tópicos:

  • a definição e origem da palavra resiliência
  • 4 modos simples de desenvolver resiliência
  • Como incentivar a resiliência no ambiente de trabalho
  • A diferença entre insistência e resiliência

Resiliência: definição e significado

Aqui na Escola de Você a gente adora entender a origem das palavras.  A etimologia sempre dá o endereço, indica o ponto essencial à compreensão dos termos. A palavra resiliência vem do Latim resilien, que significa “voltar ao estado normal”. Em outras palavras, resiliência é ser capaz de retomar a própria natureza, em vez de se fixar num estado alterado de estresse, frustração, medo ou seja ele qual for.  

O conceito de resiliência para física também é útil à nossa jornada. Resiliência, na física, é a “propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação.”

Imagine um elástico de cabelo. Você puxa em direções contrárias, ele sofre uma deformação, mas ao soltar, (retirar a força) volta ao normal.

É exatamente o que acontece com as pessoas resilientes.

E você já vai entender como e o porquê.

A psicológica e administração, baseadas no conceito físico de resiliência, adaptaram o conceito às pessoas. As ciências humanas definiram resiliência como a capacidade de enfrentar situações difíceis, crescer com elas e seguir em frente.

Na prática: O que é resiliência?

De acordo com a psicologia:

A resiliência é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se às mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse, etc. – sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades.

Em síntese: Resiliência é, acima de tudo, ressignificar os acontecimentos. Os problemas fazem parte da vida e vão acontecer a todos nós.  As pessoas resilientes têm a capacidade de entrar e sair sem tanto sofrimento.

Antes de desenvolver esta habilidade, o indivíduo pode enxergar no problema que tem a sua frente razão para desistir, se descontrolar ou atacar os outros.  Já a pessoa que está decidida a desenvolver resiliência vai usar estratégias para se manter no controle e ativar a criatividade para encontrar soluções alternativas.

Lembra daquela frase:

“A vida não é o que acontece com você, mas o que você faz a partir disso ”.

Resiliência tem muito a ver com esta ideia. Voltar ao seu estado normal de consciência e emoção antes de agir aumenta suas chances de sucesso. E mais: nossa era de transformações velozes nós expõe ao novo a todo instante. Somos obrigados a experimentar situações, sistemas, problemas para os quais não temos bagagem. Como prosperar? Na ação. Tentando. Nossa primeira ideia vai funcionar sempre? Claro que não. É aí que a resiliência se torna um diferencial competitivo.

Não é o mais genial que vence em nosso tempo, é aquele resiliente o bastante para, diante do novo, tentar até conseguir.   

O valor extraído de cada tentativa – de fechar um negócio, de inovar na sua área de atuação, de melhorar um relacionamento –  depende da postura diante daquilo. Cada um é livre para olhar às adversidades de forma catastrófica ou enxergar oportunidades de aprendizado e crescimento.

Não é apenas pensamento positivo, é aplicação prática de uma dimensão importante da inteligência humana: a emocional.

Se você chegou até aqui deve concordar que resiliência é uma das soft skills mais importantes para a vida profissional e pessoal em nosso tempo. Você deve perceber também que desenvolvê-la demanda empenho. O melhor momento para começar é agora.

Então, aqui vão algumas sugestões para desenvolver a sua resiliência.

4 modos simples de desenvolver resiliência

Para desenvolver resiliência é preciso olhar para frustração com novos olhos. Tomar a decisão consciente de administrar estresse, perdas, fracassos de uma maneira diferente. É enxergar oportunidade de crescer onde a maioria das pessoas só é capaz de ver razões para se lamentar.

Vamos às sugestões práticas:

  1. Crie uma nova narrativa

Sabe aquela história triste, aquele problemão que aconteceu? Contar os fatos para si mesmo na posição de vítima é ser legítimo. Mas como estratégia de desenvolvimento de resiliência há um outro caminho.  Pense em como seria criar uma narrativa diferente. Não precisa contar pra ninguém. Basta ressignificar os fatos e narrar para si mesmo. Experimente criar a narrativa da perspectiva da resiliência, destacando o valor do aprendizado a cada obstáculo. Por exemplo: me sinto triste porque tenho saudade da família que ficou em outro estado.  Um olhar resiliente dá destaque às vantagens que estar em outro estado me traz: meu trabalho me realiza, estou crescendo como pessoa e profissional, tenho mais condição de ser útil às pessoas que amo com o que estou construindo aqui e por aí vai. Você vai ver como esta ampliação do olhar e do significado que damos aos fatos, define a realidade.  

  1. Experimente agir com medo mesmo

Frequentemente o que nos rouba a oportunidade de desenvolver resiliência é optar por nem agir.  Diante da possibilidade de erro ou frustração, entra em ação a voz da na cabeça que diz ‘melhor não’.  Melhor não me expor, melhor não ‘inventar’, posso me machucar ou me arrepender. São essas crenças que nos mantêm parados enquanto os demais estão aprendendo com os próprios erros.  Adotar a mentalidade de abertura ao desafio é essencial para desenvolver resiliência

  1.  Encontre os benefícios de frustrações passadas

          Quando estamos vivendo o problema é mais difícil enxergar o aprendizado. Só quem já é, de fato, resiliente consegue – em meio ao caos – saber que depois da tormenta vem a calmaria. Mas ao olhar as experiências do passado, fica mais fácil conscientizar os benefícios colhidos dos erros e da dor. Faça uma lista de problemas pelos quais você já passou e identifique os aprendizados, ganhos, amadurecimentos, novas habilidades – enfim, tudo que você progrediu a partir de cada um.  Você vai tomar consciência do quanto você já é e resiliente e do poder de encarar as frustrações de um outro jeito.

           4. Aplique o distanciamento emocional

Quando estiver diante de um problema, imagine-se olhando a situação de fora.  Visualize a si mesma como uma terceira pessoa, como se o fato estivesse ocorrendo com um estranho. Essa técnica ajuda muito a separar a razão da emoção e retomar o ponto emocional ideal à tomada de decisões importantes. Lembra da definição de resiliência? Capacidade de voltar ao estado normal? É esse o ponto.

O que nos torna resilientes de verdade é a forma como processamos as nossas experiências. Em casos delicados é importante buscar ajuda profissional de psicólogos ou psiquiatras. No geral, entender que estamos em constante desenvolvimento e tomar consciência de que nossa postura perante a vida é determinante em nossos resultados já faz um excelente começo.

Como incentivar a resiliência no ambiente de trabalho

Todos nós queremos colaboradores, líderes e colegas resilientes.  Gente que encara os desafios e não desiste diante dos obstáculos gera mais resultados.  No entanto, muitas vezes, falta coerência entre o discurso e a ação. A alta gestão diz que quer pessoas inovadoras, ousadas, ágeis.  Mas, na prática, age como sempre agiu – punindo o erro publicamente, não oferece treinamento e capacitação, não cuida das pessoas com a empatia necessária para trazer a tona o melhor de cada um.

Para estimular o melhor nas pessoas é preciso acabar com a cultura do medo. Quando as pessoas têm medo do chefe, elas escondem seus erros, mentem e fingem que está tudo bem quando há problemas que precisam ser atacados.  O antídoto é criar uma zona de segurança, na qual as pessoas se sintam a vontade para levar erros e acertos ao grupo. Quando o profissional sente que terá apoio dos pares e de seus superiores caso suas tentativas não funcionem, ele se empodera para ser resiliente a administrar suas próprias frustrações.  É aí que nasce o pensar e agir fora da caixa, ou a inovação.

A diferença entre insistência e resiliência

É importante dizer que resiliência não significa ser cabeça dura.  A insistência está ligada à prepotência. Insistente é aquela pessoas que age da mesma maneira sempre.  Albert Einstein já dizia que insanidade é fazer a mesma coisa e esperar resultados distintos. Isso não tem NADA a ver com resiliência.

Resiliência é aprender com o problema.  Ao contrário de insistir no mesmo caminho, a resiliência nos leva a ter um olhar de cientista e aprender, fazer diferente, se adaptar, inovar.   Ao contrário do que fomos educados a acreditar, resiliência não é um dom inato que uns têm outros não. É algo que cada um pode e deve desenvolver para ter melhores resultados pessoais e profissionais.

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