Vocação: o que te deixa feliz?

Ontem fui almoçar com um amigo que adoro. Sabe aquelas pessoas que a gente fica anos sem ver e quando reencontra sente a mesma alegria? Pois é. Estou falando de um desses raros casos de afinidade que não se perde com o tempo.

Ouvir pessoas queridas, mais experientes e mais inteligentes sempre me deixa feliz. Nessas horas, aproveito mesmo. Pergunto, pergunto, pergunto, sem parar.

Estávamos conversando sobre realização pessoal – trabalho, família, metas. Aí quis saber por que, na opinião dele, algumas pessoas vivem tão bem enquanto outras (em situação até aparentemente melhor) sofrem tanto.

Meu amigo que é jornalista, mas tem bagagem suficiente para se arriscar no campo da sociologia, tem uma tese. Ela acredita que tudo se resume a encontrar a própria vocação. Quem encontra, vai bem. Quem segue um roteiro preestabelecido pela família, sociedade, amigos (seja lá por quem for) se frustra.

Não vou lembrar tudo que ele disse, mas foi mais ou menos assim: cada ser humano nasce com uma vocação. Alguns se realizam cuidando de uma família, educando filhos. Outros precisam liderar grupos, empreender e superar desafios importantes para toda humanidade para encontrar sentido na própria existência.

Segundo ele, não há vocação melhor que as demais. O homem que tem talento para fazer tijolos é tão importante quanto o que define os rumos de uma nação. E cada um só será feliz se for fiel ao seu dom. O copo de café não é menos importante que o de vinho. São igualmente úteis em sua diferença. A frustração vem quando o grande insiste em ser pequeno. Ou o contrário.

Por uma série de motivos, as vocações muitas vezes são sufocadas, esquecidas ou simplesmente ignoradas. A pessoa escolhe a carreira que o pai quer ou a profissão que acredita ser mais lucrativa. Casa não porque encontrou o amor, mas porque acha que ‘está na hora’ ou porque não vai encontrar alguém melhor.

Pouco a pouco, o indivíduo cheio de talentos para liderar se coloca em segundo plano. Da mesma forma, sem pensar, aquele que seria feliz numa vida simples, se agride para atender as expectativas impostas por outros.

Diz o meu amigo que vocação não se aprende. Não adianta forçar a barra. Tem que encontrar a sua para ser feliz. E ninguém pode fazer isso por você.

Aí, aí, aí olha a responsabilidade…

Natália Leite

Co-fundadora da Escola de Você.
Construindo autonomia e protagonismo feminino.

5 Comentários


  1. Esse amigo é dos bons e agora é meu amigo também, me colocou pra pensar.

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  2. Esse texto chegou em boa hora. Talvez essa seja uma das reflexões que mais realizo. Texto maravilhoso.

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  3. Muito bom o texto, sei que tem algumas aulas que falam sobre isso. Porém, seria muito interessante ter um curso específico com técnicas, estudos, atividades, de como encontrar a vocação.

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